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A Praia do Amor e a lenda do romance dos índios


Pertinho de João Pessoa, no município de Conde, litoral sul da Paraíba, fica a Praia do Amor. Ela está entre as praias mais frequentadas pelos turistas na cidade. É a que fica mais próxima do centro do distrito de Jacumã.

Nesse post, vamos conhecer a lenda mais conhecida da região.

Um encontro especial

Antes mesmo de chegar, conhecemos o Sr. Jorge, que se auto intitula um dos mais antigos moradores daquela área do finalzinho de Jacumã.

Ele nos mostrou umas peças de artesanato que faz com cascas de amendoeiras.

Essas árvores são bastante comuns não só no litoral da Paraíba como em toda a região da zona da mata do Nordeste.

As árvores mais velhas têm a casca mais grossa e é com elas que o Jorge esculpe, com a ajuda de pequenos instrumentos metálicos, casinhas minúsculas, entre outros motivos.

O comerciante e artesão nos contou uma história, uma lenda que segundo ele, explica os porquês do nome da praia.

A lenda do romance dos índios e a Praia do Amor

O Sr. Jorge achou que era reportagem para televisão, ou que íamos fazer uma filmagem, coisa assim.

Explicamos que estávamos ali fotografando e que seria legal conversar pra que as pessoas ficassem conhecendo as suas histórias, e que isso tudo ia sair no blog.

Não houve desconfiança, muito menos resistência ou má vontade nesse senhor, muito pelo contrário. Ele gostava de conversar. Então, explicadas as nossas intenções, a conversa fluiu e ele nos contou a lenda:

Nos tempos imemoriais, muito antes da chegada do homem branco, tribos indígenas dos Tabajaras habitavam o lugar.

Certa feita, um rapaz, índio dos Caetés, se perdeu do grupo com quem caçava no litoral norte de Pernambuco, indo parar no sul da Paraíba.

Seguindo pelas praias adentro, ele encontrou uma índia Tabajara e foi amor à primeira vista.

Só que como esse romance entre índios dos dois povos não foi muito bem-visto pelos mais velhos. Os jovens, que realmente estavam muito apaixonados, resolveram viver juntos na praia e ali se casaram.

Um dia, o rapaz, que havia feito uma canoa com troncos, se lançou ao mar para pescar e as correntezas o levaram pra longe da praia. Ele não voltou nunca mais.

A índia, desolada, depois de se cansar de procurar, perdeu as esperanças e se sentou numa pedra. Se pôs a chorar, não parou mais.

Ainda viveu até a velhice carregando aquela dor no peito. E de tanto chorar, suas lágrimas fizeram um buraco na pedra. Que hoje é conhecida como a Pedra do Amor.

O buraco na pedra alimenta outras crendices populares: Quem passar por debaixo dele, sendo solteiro, logo arranjará companhia. Se for casado, a união não se desfaz mais.

Pelo sim, pelo não, muita gente passa de um lado pro outro, na esperança de realizar o desejo de seus corações.

Mas o que não é lenda nem crendice popular, é a beleza da praia.

Além da pedra do amor, existem outros grandes fragmentos de recifes que parecem disputar os espaços com as ondas, principalmente quando a maré vai enchendo. A areia é macia e as águas são limpinhas.

A “Prainha” e um caminho alternativo

Essa parte onde ficam os arrecifes não é a ideal pra se instalar e permanecer tomando banho de sol e indo até a água, muita gente circula pelo local mais por causa da emblemática pedra, pra tirar fotos, atravessar o buraco, enfim…

Se quiser ficar alguma horas, procure a prainha, que fica no sentido norte: uma pequena baía onde as pessoas costumam ficar debaixo de guarda-sóis, em pequenos bares do local.

Essa é  a área mais indicada para a permanência, pois não há as pedras e a parte da areia é mais ampla.

Se você tiver disposição, pode entrar por um caminho entre a parte de mata que há acima da arrebentação, ele não é inseguro e não exige nenhum esforço a mais, como nas caminhadas em lugares de mata fechada. Todo o tempo, nós vimos pessoas atravessando de um lado pro outro, entre a prainha e a parte das pedras.

praia do amor

Porém, se você realmente não tiver como fazer o caminho, uma maneira que tem de ir até a prainha é de carro, retornando pelo mesmo lugar de onde chegou e entrando em uma rua de chão de terra após o posto de gasolina.

A Praia do Amor tem lendas, histórias, beleza e local pra lazer. Quando for à Paraíba, não esqueça de passar algumas horas nessa verdadeira jóia do nosso litoral.

+ Infos / Como chegar

Em Jacumã, dependendo de onde estiver hospedado, dá até pra ir andando até lá.

Se o hotel ou pousada não for assim tão perto, você não quiser ou não puder caminhar, os acessos são muito simples. Basta pegar a PB – 008 no sentido de volta ao centro de Conde e acessar uma rua por trás de um posto. Depois, o caminho é de terra.

Se você estiver em João Pessoa, o acesso até a Praia do Amor  é pela Avenida Panorâmica, que passa pela região da Ponta do Seixas, seguindo pela rodovia estatual PB – 008, sentido sul. A distância até Jacumã é de 24,5 quilômetros.

Há também veículos que levam as pessoas das praias de Cabo Branco ou Tambaú na capital paraibana, assim como bugues que fazem passeios nas praias em Conde. Os preços podem ser negociados e muitos motoristas buscam e deixam as pessoas na frente dos locais onde estão hospedadas.

O Reverso do Mundo não se responsabiliza pela disponibilidade dos serviços de transporte, bem como tarifas e demais taxas que sejam cobradas. Fomos como visitantes e não temos ligações com empresas nem com a administração dos lugares.

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